Memória, Economia, Religião, História e Geografia a partir do Rio Surubim

Por Marcus Paixão*

Ao cruzar o rio Surubim, atravessando-o pela ponte de concreto que foi erguida sobre ele na primeira metade do século XX, o transeunte ainda pode ter uma visão quase que primitiva da região por onde o rio segue serpenteando na terra de Campo Maior até encontrar o Longá, distante daquele ponto pouco mais de 4 km. Se o transeunte puder parar sobre a ponte, terá a oportunidade de acompanhar o trajeto do Surubim em direção ao Longá, e se tiver um pouco de paciência e disciplina, pode deixar o imaginário refletir na terra virgem dos tempos mais antigos, numa imagem que pode retroceder a tempos tão remotos e anteriores a tudo que se tem historicamente noticiado. O rio Surubim, descrito como “caudaloso” pelos primeiros portugueses e cujas águas estavam “infestadas” de peixe, foi cenário de memoráveis acontecimentos. Continue lendo “Memória, Economia, Religião, História e Geografia a partir do Rio Surubim”

Resumo Histórico-Cronológico do Piauí. Por Prof. Marcus Paixão

1. As terras piauienses eram chamadas de “Sertão de Dentro” até o início do século XVII. Alguns denominavam “Sertão das Rodelas” ou “Sertões Desertos”. O Piauí foi assim denominado por ficar distante do litoral. Sendo considerado uma terra de ninguém, somente um lugar entre o Ceará, Pernambuco, Bahia e o Maranhão. Continue lendo “Resumo Histórico-Cronológico do Piauí. Por Prof. Marcus Paixão”

O longo adormecer da intelectualidade campomaiorense. Por Pr. Marcus Paixão*

No início do século XX a criação de gado ainda era fonte de lucro em Campo Maior. As fazendas continuavam a ser grandes criatórios e a carne e o couro do gado ainda eram bastante comercializados. A cera de carnaúba foi a segunda grande riqueza da cidade. Nos anos seguintes, ela disputou e ultrapassou o comércio do gado, promovendo uma forte movimentação comercial. O gado e a cera de carnaúba foram as duas maiores fontes de riqueza em Campo Maior. Fatores que, no passado, fizeram de Campo Maior, por muito tempo, uma das maiores economias do Piauí. Socialmente, a vida da pequena cidade gravitava em torno da Praça Rui Barbosa – ponto de encontro dos casais apaixonados – e dos prostíbulos da Rua Santo Antônio, onde foram fechados grandes acordos comerciais e amorosos. Na esfera religiosa dominava a religião Católica, já contando com dois séculos de história em Campo Maior. O Protestantismo era apenas uma semente que começava a germinar, e sobrevivia solitariamente com a família do sapateiro Joaquim Bostoque. Continue lendo “O longo adormecer da intelectualidade campomaiorense. Por Pr. Marcus Paixão*”

A História de Deus: José e seus irmãos. Por Marcus Paixão

Você já parou para pensar na história? Já observou que cada acontecimento marcante (ou não) está conectado com outro? Já observou que parece existir uma perfeita lógica e direcionamento em tudo? Embora os defensores da teoria do ‘acaso’ continuem esbravejando, o fato é que os acontecimentos universais parecem seguir um roteiro prontinho. Quando vislumbramos a história ficamos extasiados com os mais diversos acontecimentos e suas muitas ligações com outros episódios. Tudo está perfeitamente unido, como as peças de um quebra-cabeça que, juntas, podem formar uma bela paisagem. A história é cheia de conexões. Cada fato histórico está ligado a outro, e esse, a outro, e a mais outro, e assim, sucessivamente, uma bela corrente de fatos históricos nos é apresentado. A história é dependente. Continue lendo “A História de Deus: José e seus irmãos. Por Marcus Paixão”

Série História de Campo Maior fala da Igreja de Santo Antonio

O Pastor, Pesquisador e Historiado Marcus Paixão, que mantem blog aqui no Em Foco, publicou seu 6° vídeo sobre a história de Campo Maior. Neste vídeo ele fala sobre A Igreja de Santo Antonio: Marco inicial da vila de Campo Maior. Continue lendo “Série História de Campo Maior fala da Igreja de Santo Antonio”

Crônica sobre a Batalha do Jenipapo, por Marcus Paixão

CAMPO MAIOR, 13 DE MARÇO DE 2015

Pr. Marcus Paixão

13 de março de 1823… naquele fatídico e tenebroso dia inverno magro, tombaram às margens do rio Jenipapo, na vila de Campo Maior, centenas de homens que abraçaram o ideal de lutar, morrer se preciso fosse, pela liberdade do Piauí e do Brasil. Mesmo recebendo reforço de soldados treinados e armados do Ceará, capitaneados por homens mais experimentados no ofício da luta, foi a bravura dos homens da vila de Campo Maior o que mais impressionou naquela guerra do Piauí brasileiro. Digo isso baseado em uma simples reflexão: se nossos homens tivessem se acovardado e se curvado diante de Fidié e seu exército, poderíamos até hoje está vivendo num Piauí português, colônia daquele país europeu. Até ontem muitos países do globo ainda eram colônias inglesas. As ilhas Falkland ainda são possessão da coroa britânica, mesmo estando geograficamente colada na Argentina. O Brasil também não seria o Brasil que conhecemos hoje em termos de dimensões geográficas, isso porque partes do nordestes seriam ainda de Portugal, como era a intenção de Fidié. Tudo teria sido diferente, a começar pelo mapa do Brasil.

encenação (55)

A guerra do Jenipapo não pode ser vista como um evento de importância local, reduzida a um acontecimento limitado, com conseqüências meramente estaduais. É um erro grave minimizar a única guerra de sangue derramado pela independência do país. Aliás, é um insulto à memória daqueles que tombaram pela pátria. Esse é o tipo de ignorância histórica que não pode mais ser admitido por ninguém. Passados 192 anos da guerra do Jenipapo jamais um presidente brasileiro teve a hombridade de vir a Campo Maior e encarar as sepulturas daqueles que morreram pela nossa independência. Proteste povo brasileiro! A Batalha do Jenipapo não se trata de um pseudo-fato, permeado de dúvidas de autenticidade. A guerra de Campo Maior tem evidência histórica inquestionável, com registros no Brasil e em Portugal. Muitos livros já foram escritos registrando documentação legítima e acrescentando ao fato as historietas menores, mais que se entrelaçam na guerra, agigantando o acontecimento. Não estou falando dos heróis que foram inventados pela classe dominante, e até hoje celebrados, como se tivessem lutado sozinho. Estes são frutos de uma história positivista, que precisa criar seus heróis. Refiro-me ao todo. Ao acontecimento em si, ao sangue derramado, ao escravo que lutou e morreu, aos anônimos.

Este é um país sem memória e com muitos historiadores míopes. Eu considero traição à pátria abrir um livro de história do Brasil e não encontrar ali a história dos heróis do Jenipapo. Mas uma vez faço questão de afirmar que o sangue da independência jorrou do sertão do Piauí, e foi aqui, em Campo Maior, nas margens do rio Jenipapo que essa memorável batalha aconteceu. Mas o povo piauiense também é um pobre miserável, conivente com a ruína cultural e histórica que lhe acomete. Hoje, 13 de março, só é feriado em Campo Maior. Todo o Piauí absorve a ignorância e a desonra que o Estado Maior lhe imprime. Onde está a força política piauiense, para, no mínimo, no dia 13 de março, fazer o Estado parar e honra aos heróis, à semelhança do que acontece no 7 de setembro? Algum coisa já foi feita? Claro, mas foi tão pouco, que até parece que nada foi feito. Nesse ritmo, mais uns 500 anos serão necessários para que a batalha seja reconhecida e valorizada nacionalmente.

Pra encerrar esse texto, um parágrafo sobre os bravos homens de Campo Maior, mas não os soldados que carregavam armas de fogo, esses não. Aos gigantes que se aliaram ao pequeno exército de ideal libertador, que gritava por independência. Isso me causa espanto. As pinturas da guerra do Jenipapo me fazem meditar nos registros históricos. Homens com facas, foices, enxadas e pedras. Também carregando cacetes, e utensílios domésticos que foram feito armas de guerra.  O Povo de Campo Maior também dispunha de armas de fogo, mas é fato que eram em número bem menor. Também não eram treinados na arte da guerra. A maioria do povo, convocados e voluntários, lutou com o que dispunha. Era uma luta de vida ou morte. Registra-se que cerca de 400 homens foram mortos na guerra de Campo Maior. Centenas de viúvas e órfãos. Porém, com sua indômita coragem, enfraqueceram as forças de Fidié. Pouquíssimos soldados do exército português morreram. Ainda assim, os canhões do exército de Portugal foram tomados e são o troféu da guerra, o espólio do combate. Hoje, nas comemorações em honra aos heróis da Batalha do jenipapo, observando as honrarias distribuídas e a pompa do evento, pensei: “aqui aconteceu o maior funeral de todo o Piauí. Jamais se chorou tanto e houve tanto luto como no 13 de março. Hoje celebramos, ontem chorávamos.”

Relato Histórico sobre o Açude de Campo Maior

Por: Marcus Paixão

A primeira vez que ouvi uma história realmente bem interessante sobre o açude de Campo Maior, cuja narrativa me envolveu completamente, não veio através de um historiador profissional. Veio da boca de um caçador. Foi o saudoso “Tatá” da Costa Araújo, o vovô Tatá, como o chamávamos. Sentado com ele, na porta de sua casa, ouvi várias vezes ele relatar acontecimentos que envolviam o açude de Campo Maior. Essas histórias marcaram minha vida e despertaram o interesse em conhecer mais sobre a história de nosso açude. O que passo a contar-lhes agora não são simplesmente histórias de caçador, mas trata-se do registro histórico real do açude de Campo Maior, baseado em pesquisa científica, em fontes documentais, e em extensa bibliografia.[1]

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Série História: A colonização da região de Campo Maior

O Pastor e Historiador Marcus Paixão vem mostrando vídeos com detalhes de suas pesquisas sobre Campo Maior. Nesse 5º vídeo, o historiador Marcos Paixão apresenta um pouco da história da colonização da grande região de Campo Maior, ainda nos primórdios do século XVII, revelando que a colonização se deve verdadeiramente aos “anônimos”. Continue lendo “Série História: A colonização da região de Campo Maior”