Matéria publicada por: Paulo Kampus em 09/09/2014

Fotos da ‘festa do sexo’ caem na web e geram polêmica nas redes sociais

Uma festa para comemorar o Dia do Sexo, em Araraquara (SP), no último sábado (6), se tornou um dos assuntos mais comentados na cidade e nas redes sociais no fim semana. Supostas fotos e vídeos gravados pelo público dentro de uma casa noturna mostram homens e mulheres simulando cenas de atos sexuais. As imagens se espalharam pela internet. Apesar da repercussão, a polícia não registrou nenhuma queixa. Um advogado caracterizou o caso como ato obsceno. O dono do estabelecimento, Adriano Daltrini, afirmou que não houve promiscuidade e que há fotos circulando pela internet que não são da festa, realizada pela terceira vez na cidade.

 

Três gogo boys e uma gogo girl foram contratados para animar a festa, que começou por volta das 23h no bairro Fonte Luminosa, região tradicional da cidade. Música ao vivo, som eletrônico com DJs convidados e dançarinos profissionais se dividiram entre os três espaços disponibilizados na casa noturna. Uma jovem que preferiu não se identificar contou que ficou assustada com as cenas de simulação de sexo que ocorriam em um dos ambientes.

Polêmica
As fotos recebidas pelo G1 são bem explícitas. Mostram, por exemplo, uma garota simulando sexo oral em um dançarino. Em outra imagem há um rapaz que insinua sexo oral em uma jovem. Há ainda uma foto em que uma mulher é flagrada ao lamber o peito do dançarino, que em outra foto aparece beijando uma jovem que está sentada no colo dele. A reportagem também teve acesso a vídeos. Em um deles, uma gogo girl joga bebida nos seios enquanto um jovem lambe.

A promotora Josy Fernanda Ferreira, de 28 anos, disse ter a impressão de que as pessoas estavam muito alteradas. “Foi a primeira vez que fui e acho que é a última. Fiquei assustada. Não vi sexo explícito, mas havia sim muita esfregação”, relatou.

Sem sexo
O dono da casa noturna afirmou que a festa teve apenas brincadeiras com conotação sexual e que não houve sexo explícito. Segundo ele, as imagens do circuito interno da casa não registraram nenhuma eventualidade.

“Houve um evento com um tom apelativo, com uma conotação explícita, mas não sexo ao vivo. Foi como um Clube das Mulheres, mas ninguém do público tirou a roupa”, disse Daltrini.

O empresário afirmou que a festa continua no próximo ano. Ele disse também que irá acionar o jurídico da empresa por conta das falsas imagens que circulam nas redes sociais e que tentam denegrir o nome do estabelecimento. Uma montagem circula na rede, mostrando uma suposta reportagem do site G1 afirmando que o caso é investigado pela polícia, o que não é verdade.

Ato obsceno
O advogado José Mário Sperchi teve acesso as imagens e avaliou o ato como obsceno, crime previsto no artigo 233 do Código Penal Brasileiro. A lei diz que a prática em lugar público, ou aberto ou exposto ao público pode ser penalizada com detenção de três meses a um ano, ou multa.

“Houve a intenção de mostrar, se insinuar cenas de sexo, o que caracteriza a infração. Mesmo sendo em uma lugar fechado, foi explícito ao púbico, está no artigo da lei. Pelas cenas inicias o que se vê é que ali houve um ato obsceno”, explicou o advogado.

Segundo Sperchi, caso alguém tenha se sentido ofendido ou constrangido com a situação, é possível registrar o caso na delegacia o procurar o Ministério Público, para que o órgão inicie uma investigação. “A situação choca a população porque ofende os costumes. A festa já ocorreu em outros anos, mas é a primeira vez que gera essa repercussão na cidade. Do jeito que está, acho que a tendência é extrapolar cada vez mais”, afirmou o advogado.

Outra polêmica
A casa noturna já foi alvo de outra polêmica em abril deste ano. Uma festa com o nome ‘Não me estupre, me beije’ gerou protestos. Pelo menos 278 pessoas se manifestaram contra o evento em uma página no Facebook. Na ocasião, a organização decidiu alterar o nome para ‘Todos juntos por uma causa’.

Em nota, a casa noturna se desculpou pelo mal entendido e informou que o tema foi escolhido para apoiar a campanha exposta nas mídias sociais e diversos meios de comunicação e que o intuito foi apoiar e lutar contra qualquer violência à mulher ao dizer #NãoMereçoSerEstuprada. Já o #mebeije faz menção a um ato de carinho que todas as mulheres merecem, explicou o texto.

Fonte: G1

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