
Durante reunião com o gerente da Gerência de Análise Criminal e Estatística da SSP-PI, delegado João Marcelo Brasileiro de Aguiar, foram apresentados dados da DATASSP (Núcleo de Estudos Avançandos em Segurança Pública), que revelam um crescimento nos casos de feminicídio e a vulnerabilidade das vítimas antes dos crimes. A reunião ocorreu na Defensoria Pública do Estado do Piauí e se tratava sobre estratégias voltada à integração de dados sobre violência contra a mulher, com o objetivo de coibir feminicídios e fortalecer a Rede de Proteção à Mulher.
De acordo com o DATASSP, de 2022 a 2025, o Piauí registrou um total de 182 casos de feminicídio. Somente em 2024, foram contabilizados 56 casos, representando um aumento de 32% em relação ao ano anterior. Em 2025, até março, já são 18 feminicídios confirmados, o que indica uma tendência de crescimento.
Além do aumento no número absoluto de casos, os dados revelam outros aspectos da violência contra a mulher no estado. A cada 100 mulheres vítimas de feminicídio, apenas 10 tinham medida protetiva. 87,85% das vítimas de feminicídio não haviam registrado boletim de ocorrência antes do crime. 73% dos feminicídios ocorreram dentro da residência da vítima. 68% das vítimas foram assassinadas pelo companheiro ou ex-companheiro.
Esses números demonstram que a maioria das mulheres assassinadas não havia acionado os órgãos de proteção antes do crime, seja por medo, dependência financeira, falta de informação ou até descrença na efetividade das medidas disponíveis.
Para o delegado João Marcelo, a integração de dados entre a Secretaria de Segurança Pública, a Defensoria Pública e outros órgãos será fundamental para a prevenção de novos casos. “A ideia é fortalecer, através de inteligência e dados confiáveis, a atuação da Secretaria frente aos outros órgãos de proteção no estado. Precisamos garantir que essas mulheres tenham acesso rápido e eficaz às medidas de proteção e que os casos de violência sejam prevenidos antes de culminarem em tragédias irreversíveis”, ressaltou.
O encontro também abordou a importância da ampliação das políticas públicas de proteção, como a implementação de monitoramento eletrônico para agressores, aumento da fiscalização de medidas protetivas e o fortalecimento das delegacias especializadas. “ Precisamos intensificar o compromisso de conscientização e aprimorar o sistema de monitoramento, para que mais mulheres em situação de risco consigam denunciar e evitar que a violência chegue ao extremo do feminicídio”, finalizou o delegado.
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