
A quebra do sigilo telefônico dos alvos da operação da PF revela que o namorado da vereadora Tatiana Medeiros, presa na quinta-feira (02), sugere que integrante de facção criminosa “agora tem vereadora na câmara para ajudar”.
O trecho extraído de uma conversa de Alandilson Cardoso Passos, que está preso em Minas Gerais, afirma que gastou mais de R$ 1 milhão na campanha da Tatiana e que “agora tem a vereadora na câmara para ajudar, que estão com um mandato lá”.
A parlamentar foi presa na operação “Escudo eleitoral” da PF, suspeita de ligação com facção criminosa e compra de votos.
Nesta sexta-feira (4), em audiência de custódia, o juiz manteve a prisão da vereadora e ela se encontra em alojamento da Polícia Militar, no Quartel do Comando Geral. A operação cumpriu oito mandados, sendo três de prisões em Teresina e Timon (MA).
Padrasto preso
A investigação da PF revela que o padrasto da vereadora Tatiana Medeiros é apontado como operador financeiro do esquema criminoso. Stênio Ferreira foi afastado das funções públicas que exercia na Secretaria Estadual de Saúde e Assembleia Legislativa do Piauí. Além dele, o namorado da parlamentar Alandilson Passos que teve mandado de prisão preventiva decretado e uma assessora de Tatiana estão entre os investigados por suspeita de envolvimento com crimes eleitorais.
“O risco de penetração de facções criminosas no serviço público impõe medidas preventivas e rigorosas. No presente caso, há indícios robustos de que Tatiana atuará como facilitadora de interesses de um membro de organização criminosa, utilizando seu mandato para blindagem institucional e favorecimento de membros do grupo criminoso”, diz juiz em decisão.
De acordo com a investigação, as informações evidenciam uma rede de crimes organizados com fins patrimoniais, financeiros e de traficância.
Em busca e apreensão, a PF localizou listas de eleitores e informações de que votos eram comprados por R$ 100. Em áudios em poder da polícia, Alandilson exigia que as pessoas cooptadas encaminhassem imagens do título eleitoral, do comprovante de votação e, sempre que possível, registrassem em vídeo a urna eletrônica no momento do voto.
No inquérito, a PF diz que há provas que atestam a inconsistência das despesas declaradas na campanha eleitoral de Tatiana Medeiros. Segundo documentos, há gastos de R$ 46 mil com “publicidade por materiais impressos” e que só apresenta R$ 4.100.
Entenda as medidas adotadas na operação Escudo Eleitoral por decisão judicial:
•Mandado de prisão preventiva contra a vereadora Tatiana Medeiros e seu namorado Alandilson Passos, que já está preso em Minas Gerais;
•Afastamento das funções públicas do padrasto de Tatiana, Stênio Ferreira na Sesapi e Alepi; da assessora Emanuelly Pinho que atuava na Câmara e no Instituto Vamos Juntos e da própria vereadora.
Todos não podem ter acesso ou frequência às dependências dos prédios e de manter contato com os servidores daquele órgão;
•Suspensão das atividades da ONG Instituto Vamos Juntos, bem como a suspensão de recebimento de recursos públicos;
•Indisponibilidade e bloqueio imediato de ativos financeiros de Alandilson Passos em todas as contas bancárias e aplicações financeiras em nome do investigado no valor de R$ 1 milhão;
•Apreensão e indisponibilidade do veiculo da mãe da Tatiana Medeiros, Maria Odélia Medeiros.
Na investigação consta que o Instituto Vamos Juntos realizava cadastros irregulares de famílias para o controle dos votos e repasses de financeiros a "lideranças" que possivelmente facilitaram a prática de compra de votos.
Na primeira operação da PF “Escudo Eleitoral” foi apreendido R$ 97 mil na residência e no escritório da vereadora.
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