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Após a administração do Cônego Gastão Pereira da Silva, grande benemérito de Campo Maior, foi empossado como pároco da freguesia de Santo Antônio, o Padre Benedito Cantuária de Almeida e Sousa (1889-1979), em 27 de março de 1927, por ordem do Exmº. Sr. Dom SeverinoVieira de Melo, então Bispo do Piauí.
O Pe. Benedito teve muitos problemas em seu vicariato, sobretudo, por conta de perseguição política. O principal fator de sua saída foi devido a querelas pessoais que envolviam o compositor e maestro da cidade MajorHonório Bona Neto (1876-1972), “H. Netto” e o Intendente municipal Major Luiz Rodrigues de Miranda (1876-1948), Intendente eleito com mandato de 1924 a 1928; provocou um desentendimento com o Vigário, quese negava a fazer oposição ao Maestro Honório, muito querido e estimado pelo Vigário, recusando-se a dispensar a Banda de música dirigida pelo ilustre maestro, o que acabou provocando a ira dos opositores políticos do ilustre maestro e fundador da Banda de música “Lyra de Santo Antônio”, banda esta que prestava um zeloso serviço litúrgico, na animação e solenidade de festas e novenas da paróquia, de modo especial: os festejos de Santo Antônio, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora de Lourdes e Nossa Senhora de Guadalupe.
Abaixo, transcrevemos parte da narrativa do PadreBenedito Cantuária (futuro Monsenhor “Ditoso” de Piracuruca) registrada no Livro Tombo n° 1 da paróquia de Santo Antônio:
“Aconteceu porém, que tendo caído politicamente, o dito maestro, quis o chefe local, que eu me desfizesse do meu vantajoso e antigo contracto (com a banda Lyra de Santo Antônio) para aceitar a música do partido vitorioso. Fiz-lhe vir, a ele próprio, e seus emissários, que não me ficava bem agir assim, pois não havia motivo para despachar do coro, o meu maestro, sempre cumpridor e bem desempenhador com exactidão do seu officio. Vieram outras, e muitas outras exigências, neste sentido; não pude ser agradável, agindo contra a minha consciência, para satisfazer caprichos políticos e desejo de vingança” (TOMBO I, n° 1, 1928, f. 66).
Depois do ocorrido e atrito entre o Interdente e o Vigário, se seguiu um lamentoso desagravo durante o início dos festejos do Tríduo a Nossa Senhora de Lourdes, tendo iniciada a festa na capela, guardas e capangasencomendados, vieram até a banda pronta a acompanhar a procissão, levaram todos os instrumentos dos músicos, ficando apenas o coral para abrilhantar no canto litúrgico, todos os três dias de festa.
Outras situações desagradáveis se sucederam, mas o Vigário se manteve firme em sua posição e reafirmou seu contrato com a banda do Maestro Major Honório.
Ao longo do ano de 1928, no decorrer das festividades, a notícia de tais infortúnios entre setores políticos e a paróquia estavam mais apaziguados, parecia que por conformação da parte que ainda insistia em mudar a banda e os músicos ligados ao Major Honório, vendo que não se tinha efeito em tal provocação, reações se tornaram mais evidentes na Festa de Cristo Rei e de Nossa Senhora de Guadalupe, em dezembro de 1928.
No entanto, no mesmo mês, um chamado “prócere” da parte da Intendência municipal, foi a capital Teresina, ao Palácio Episcopal, levar queixa e solicitar a remoção do atual Vigário, com risco de continuarem as hostilidades.
Assim, para evitar maiores hostilidades e preservando a honra e dignidade do então vigário, foi removido do cargopor ordem do Exmº. Sr. Bispo Dom Severino Vieira de Melo, Padre Benedito partiu para Teresina em 1929, e em seu lugar tomou posse Mons. Fernando Lopes e Silva, como pároco ecônomo da matriz de Santo Antônio, em 8 de janeiro de 1929, gestão que durou até 1930.
As últimas palavras de Pe. Benedito Cantuária como Vigário de Campo Maior, foram: “Fica, portanto, esta cidade sem pároco efetivo residente, seguirei para Teresina, entregando minha causa, a Virgem Senhora de Guadalupe, devendo partir amanhã à tarde.
Laus Deo Virginique Mariae.
Campo Maior, 27 de dezembro de 1928.” (ibidem, 1928, f. 69)
Padre Benedito exerceu ainda o sacerdócio na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, de Piracuruca-PI, por mais de 40 anos, no período de 20 de abril de 1932 a 27 de agosto de 1972.
Elevado à dignidade eclesiástica de Monsenhor, foi o primeiro Vigário geral da Diocese de Oeiras, permanecendo à frente da Diocese de 1945 a 1949, quando tomou posse seu primeiro bispo, Dom Francisco Expedito Lopes, que governou Oeiras até 02 de setembro de 1954. Monsenhor Benedito recusou sua nomeação para Bispo de Oeiras, a fim de manter-se na Paróquia de Piracuruca.
Faleceu na capital piauiense a 25 de dezembro de 1979, após submeter-se a uma intervenção cirúrgica. Descansa o sono dos justos na sua querida Piracuruca.
Referências:
LIVRO TOMBO, vol. 1. Paróquia Catedral de Santo Antônio de Campo Maior, (1883-1941).
FARIAS, Dário Leno de Souza. 130 anos de fé e devoção: história da igreja de Nossa Senhora do Rosário. 1. Ed. Teresina: FSC Comércio e Industria Ltda. São Luís Gráfica e Editora, 2023.
DIAS, Carlos Alberto. Na fé da minha paróquia. Altos, Piauí, 2009. p. 106.
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